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São grãos de areia num areal,
falo-te dum templo em ti,
perdido em séculos de historial.
Procuro em vão mostrar,
curtas precisas e confusas,
as palavras da solução aflorar.
Conheces o caminho das estrelas,
onde a terra que pisas é sagrada,
conheces esse templo que apelas,
onde coração é rei e a mente aliada.
Para lá vai despido de miséria,
vestido de espírito e alma pura,
perdeste a criança em ti pela séria,
corroída ficou, ela existe, luta.
Pulsar
Um pequeno pedaço de algo
Caindo suavemente, abaixo, abaixo
Ninguém entende como eu entendo.
Eu preferiria estar ao teu lado
Tudo aquilo que sabemos fazer tão bem.
Conta-me o que sentes agora
Mostra-me o que pensas disto
Não é mais sobre nós
Estão em toda a parte as razões pelas quais lutamos
Não é sobre ódio, não é sobre a dor que nós sempre sentimos
Eu sei que nós temos nossos problemas mas nós não somos os únicos
Não é sobre ti, não é sobre mim.
Não é sobre raiva, é mais sobre a solidão que nós sentimos
Como posso eu começar a pedir um pouco de perdão
Para tudo aquilo que de nós levamos
Não há nada a temer
Um pequeno pedaço de algo.
Caindo suavemente, abaixo, abaixo
Ninguém entende não, ninguém como eu
Não há nada a temer
Não é mais sobre nós
Estão em toda a parte as razões pelas quais lutamos.
Não é sobre ódio, não é sobre dor que nós sempre sentimos
Eu sei que nós temos nossos problemas mas nós não somos os únicos
Não é sobre ti, não é sobre mim.
Não é sobre raiva, é mais sobre a solidão que nós sentimos.
Não é sobre nós
Não é sobre ódio
É mais sobre a solidão que nós sentimos,
Consegues tu senti-la
Não é sobre raiva
Não é sobre querer
Eu sei que nós temos nossos problemas
Mas nós não somos os únicos,
nós não somos os únicos,
não é sobre ti, não é sobre mim.
Ray Wilson
Outrora a música movimentava massas e com ela as revoluções surgiam, não foi só nos anos 60 do século passado, desde o grito africano ao blues passando pela clássica, e mais tarde o rock e a pop, desde os escravos negros, desde os grandes compositores europeus, revoluções e gerações surgiram e com elas mudanças culturais, venceram-se preconceitos e abriram-se novas esperanças, umas conseguidas outras consumidas pela apatia e pela inércia dos tempos modernos. Hoje a música tenta por vezes levantar esse sinal de inconformismo, mas nada, adormeceu na apatia dos média e de alguns senhores que como sempre colocam o dinheiro à frente da arte e a arte deixa de ser o impulsionador de revoluções e despertares de consciência do inconformismo do mundo perante a alienação por parte dos poderosos que a única coisa que fazem é nos domesticar através de um ecrã grande ou pequeno, pela TV ou pela Net, tal como um grande músico disse num conserto, “antigamente questionávamos do que éramos feitos e compostos e era habitual dizer que era do que comíamos, mais recentemente e mais sofisticadamente dizem-nos que somos o que queremos ser, que somos o que lemos, mas o que eu acho é que neste século nós somos aquilo que vemos”. Talvez a música se tenha perdido na visão do que vemos e não do que somos realmente. Fico triste por pensar que a música já não tem o peso que tinha e hoje apenas seja utilizada por determinadas grupos restritos para promoverem não um bem comum mas sim antes uma reedificação pessoal ou grupal que nada tem a ver com os verdadeiros problemas que nos são apresentados actualmente. È habitual dizermos que uma imagem vale mais que mil palavras e então nos questionamos com todas as imagens porque é que tudo continua igual e muitas vezes pior?… espero que gostem desta música…
Eles têm o dinheiro, eles têm o sol
Eles parecem se estar a divertir
Não parece tão injusto?
Eles sabem de algo que tu não sabes
Eles têm sempre um lugar melhor para ir
Eles são belos e ricos e não se importam
Nós conseguiremos os sonhos que merecemos
As revistas que nós merecemos
As páginas um e três que nós merecemos
A alegria e a dor que nós merecemos
O sol e a chuva que nós merecemos
O ganho material que nós merecemos
Nós conseguiremos o que merecemos
Eles têm tensão, eles têm stresse
Eles têm suas vidas sob pressão
O mundo inteiro observa enquanto eles o desnudam
Vendem os amigos para avançarem
Fazem terapia em vez de terem amigos
Eles têm demónios nas suas camas
Nós conseguiremos os brinquedos que nós merecemos
O silêncio e o barulho que nós merecemos
As moças e os rapazes que nós merecemos
Nós conseguiremos o que queremos se realmente o desejarmos
Nós conseguiremos o que queremos se formos realmente honestos
tu sabes o que és
tu sabes o que queres
tu sabes o que mereces
Nós conseguimos os mares que nós merecemos
As flores e as árvores que nós merecemos
As esporas na brisa que nós merecemos
Nós conseguiremos o que queremos se realmente o desejarmos
Nós conseguiremos o que queremos se formos realmente honestos
tu sabes o que és
tu sabes o que queres
tu sabes o que mereces
tu mereces
Nós conseguiremos o que nós merecemos
Nós merecemos
Não posso acreditar nas notícias de hoje
Não consigo fechar os olhos e esquecer
Durante quanto tempo teremos de cantar esta canção?
Durante quanto tempo? Esta noite podemos estar unidos.
Garrafas partidas debaixo dos pés das crianças,
Corpos espalhados ao longo dum beco sem saída
Mas não vou responder ao grito de guerra
Isso irrita-me, deixa-me encostado à parede.
Domingo, sangrento Domingo.
Domingo, sangrento Domingo.
A batalha ainda agora começou
Muitos se perderam, mas diz-me quem ganhou?
Brechas abriram-se nos nossos corações
Mães e filhos, irmãos e irmãs separados.
Domingo, sangrento Domingo.
Domingo, sangrento Domingo.
Durante quanto tempo teremos de cantar esta canção?
Durante quanto tempo? Esta noite podemos estar unidos.
Esta noite, esta noite.
Domingo, sangrento Domingo.
Domingo, sangrento Domingo.
Enxuga as lágrimas dos teus olhos
Enxugas as lágrimas
Enxuga os teus olhos raiados de sangue.
Domingo, sangrento Domingo.
Domingo, sangrento Domingo.
E é bem verdade que estamos imunes
Quando os factos são ficção e a TV é a realidade
E hoje são milhões os que choram
E nós a comer e a beber quando eles morrerem amanhã.
A verdadeira batalha está a começar.
Para reclamar vitória Jesus ganhou
Num Domingo, sangrento Domingo.
Domingo, sangrento Domingo.
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