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Quem te vai dizer quando for tarde demais?
Quem te vai dizer que as coisas não são tão boas?
Não podes continuar a pensar que está tudo bem
Quem te vai levar para casa esta noite?
Quem te vai levantar quando caíres?
Quem vai desligar o telefone quando ligares?
Quem vai prestar atenção aos teus sonhos?
Quem vai prestar atenção, quando gritares?
Não podes continuar a pensar que está tudo bem
Quem te vai levar para casa esta noite?
O espírito da neblina esteve nos campos
o cinza e o verde juntos
o barulho distante de uma máquina de fazenda
Fora disso a primeira luz veio
Um colar esfarrapado de árvores, no lado sul no monte
onde a beira funciona no meio, onde o menino de Mary Dunoon caiu
A Páscoa chegou novamente, um momento para o cego ver
Páscoa, realmente faz todos os seus corações se libertarem
Fora do porto de Liverpool, limite para o norte de Irlanda
A lavagem do spray, e as ondas calmas, o rolo do mar abaixo
Mares convulsos, ressacas estranhas
Cruzam-te a alma de verde escuro
As ondas que te empurram
As vagas que te esmagam
Contra tudo lutas
Contra tudo falhas
Todas as tuas explosões
Redundam em silêncio
Nada me diz
Berras às bestas
Que te sufocam
Em braços viscosos
Cheios de pavor
Esse frio surdo
O frio que te envolve
Nasce na fonte
Na fonte da dor
Remar remar
Forçar a corrente
Ao mar, ao mar
Que mata a gente
Eu vejo o medo nas coisas que não entendemos
Eu vejo o medo em outro homem cego
Não posso evitar essa luta que acontece dentro de mim
Não consigo evitar quem eu sou
Eu sei que tu és forte
Eu sei que tu pertences
Eu sei que tu és forte
Minha linda
Não posso virar as costas para o que acredito
Não posso destruir ou enganar
Eu conheço beleza em tudo que posso ver
Eu não posso segurar mas tu não podes liberar
Eu sei que tu és forte
Eu sei que tu pertences
Eu sei que tu és forte
Minha linda
Porque eles não te podem segurar
E eles não me podem segurar
E eles não me podem agarrar
As coisas em que não acreditam
Porque eles não te podem segurar
E eles não me podem segurar
E eles não me podem agarrar
As coisas em que não acreditam
Eu sei que tu és forte
Eu sei que tu pertences
Eu sei que tu és forte
Minha linda
Eu sei que tu és forte
Minha linda
A luz correu no tempo,
o tempo correu em mim
e eu corri o que pude
para me aproximar de ti
fingi luas de prata
quis nunca mais partir
brinquei com o teu olhar
só para te puder sentir
noventa metros
acima no ar
lanço-me sem
asas, não vês
noventa metros
confio em ti
para me apanhar
no regresso fiquei
mais esquecida de mim
que os outros que já fui
ao inferno os devolvi
e a luz correu sem tempo
e o tempo correu sem mim
e eu sem rede tentei
a minha queda por ti
noventa metros...
O que aconteceu ao nascer do sol?
E a chuva?
O que aconteceu a tudo
Disseste que iríamos ganhar?
E os campos de extermínio?
Vamos ter descanso?
E o que vai aconteceu a tudo
Disseste que era meu e teu?
Já paraste para pensar
Sobre todo o sangue derramado?
Já paraste para pensar
Que a Terra, os mares estão a chorar?
O que fizemos com a Terra?
Olha o que fizemos
E a paz
Que prometes-te ao teu único filho?
O que aconteceu aos campos floridos?
Vamos ter descanso?
O que aconteceu a todos os sonhos
Que disseste serem teus e meus?
Já paras-te para pensar
Sobre todas as crianças mortas na guerra?
Eu costumava sonhar
Costumava viajar além das estrelas
Agora já não sei onde estamos
Embora saiba que fomos muitos longe
O que vai acontecer do passado?
(E de nós?)
E os mares?
(E de nós?)
O céu está a cair
(E de nós?)
Não consigo nem respirar
(E de nós?)
E a terra a sangrar?
(E de nós?)
Não conseguimos sentir as feridas?
(E de nós?)
E o valor da natureza?
É o ventre do nosso planeta
(E de nós?)
E os animais?
(E de nós?)
Fizemos de reinados, poeira
(E de nós?)
E os elefantes?
(E de nós?)
Perdemos a confiança deles?
(E de nós?)
E as baleias chorando?
(E de nós?)
Estamos a destruir os mares
(E de nós?)
E as florestas?
Queimadas, apesar dos apelos
(E de nós?)
E a terra prometida?
(E de nós?)
Rasgada ao meio pelos dogmas
(E de nós?)
E o homem comum?
(E de nós?)
Não podemos libertá-lo?
(E de nós?)
E as crianças chorando?
(E de nós?)
Não consegues ouvi-las chorar?
(E de nós?)
O que fizemos de mal?
Alguém me diz o porquê
(E de nós?)
E os bebés?
(E de nós?)
E os dias?
(E de nós?)
E toda a alegria?
(E de nós?)
E o homem?
(E de nós?)
O homem chorando?
(E de nós?)
E Abraão?
(E de nós?)
E a morte de novo?
Alguém se importa?
Nós faremos tudo isto
Tudo
Sozinhos
Nós não precisamos
De nada
Ou de ninguém
Se eu me deitar aqui
Se eu apenas me deitar aqui
Deitar-te-ias comigo e esquecerias o mundo?
Eu não sei ao certo
Como te dizer
Como me sinto
Aquelas três palavras
são ditas demais
Elas não são o suficiente
Se eu me deitar aqui
Se eu apenas me deitar aqui
Deitar-te-ias comigo e esquecerias o mundo?
Esquece o que nos foi dito
Antes de ficarmos muito velhos
Mostra-me um jardim que se está a abrir para a vida
Vamos passar o tempo
Perseguindo carros
Em volta das nossas cabeças
Eu preciso da tua graça
Para me lembrar
De encontrar a minha
Se eu me deitar aqui
Se eu apenas me deitar aqui
Deitar-te-ias comigo e esquecerias o mundo?
Esquece o que nos foi dito
Antes de ficarmos muito velhos
Mostra-me um jardim que se está a abrir para a vida
Tudo que eu sou
Tudo que eu sempre fui
Está aqui em teus olhos perfeitos,
eles são tudo o que eu consigo ver
Eu não sei onde
também estou confuso sobre o "como"
Apenas sei que estas coisas nunca mudarão para nós
Se eu me deitar aqui
Se eu apenas me deitar aqui
Deitar-te-ias comigo e esquecerias o mundo?
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